08 abril, 2011

Rosa de Hiroshima Vinicius de Moraes

Pensem nas crianças
Mudas telepáticas Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas, oh, não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroshima
A rosa hereditária
A rosa radioativa
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A anti-rosa atômica
Sem cor sem perfume
Sem rosa, sem nada

Vi esse poema em um blog que me lembrou muito a tragédia na escola do Rio. Tão incrível como as coisas acontecem sem que ao menos esperemos por isso, cada vez mais tem acontecido coisas horríveis, mas nunca imaginamos que seria assim tão próximo. No dia da chacina, quando os alunos daquela escola acordaram, tenho certeza que a maioria deles escolheram uma roupa bonita pra vestir, arrumaram os cabelos, esperando chegar na escola ter um dia produtivo, encontrar os amigos, conversar, paquerar, e de uma hora pra outra... cade tudo isso? Como será a vida daquelas famílias sem os sorrisos radiantes de crianças puras? Não me faz lembrar somente desse dia, me faz pensar de como é ruim perder alguém, próximo ou não, da família ou não, como é péssimo não ter por perto uma pessoa que você ama, que é importante. Esse ano irá fazer 5 anos que meu avô faleceu, não tinha intimidade, mas vô é vô,e eu pelo menos amava muito ele, nós não moravamos na mesma cidade, então conversavamos pouco, mas tenho uma lembrança viva dele, eu tinha 10 anos quando ele faleceu, mas a minha infância toda, quando ia pra casa dele nas férias, era maravilhoso, ele me ensinava a jogar todos os tipos dejogos com  baralho possíveis, assistiamos muitos filmes
, mesmo não entendendo nada eu ficava horas escutando ele contar das histórias políticas da vida dele. Eu nunca soube exatamente o motivo, mas ele não tinha as duas pernas, ele ficava o dai todo em cima de uma cadeira de rodas, eu realmente não via problema nenhum em conviver com alguém que não andava, ele conseguia de uma forma delicada me explicar que certas coisas aconteciam e não tinham como ser concertadas. Tinha três momentos nas minhas estadias na casa dele que eu me lembro amaaaaaaaar. A primeira quando ele ia dormir depois do almoço e eu entrava no quarto pra sentar na cadeira de rodas dele e sair andando pela casa, até escutar ele gritando desesperadamente que queria a cadeira pra sair cama, parece "assustador" mas nós davamos muita risada, a segunda quando eu sentava no colo dele em cima da cadeira e ele descia a rampa da garagem era uma adrenalina pura... (risos), a terceira, não comentei mas ele morava em uma praia, em Santa Catarina e, enquanto a minha avó limpava a casa ele me levava na praia que era a poucas quadras da casa, ele prendia os pés da cadeira na areia e ficava me olhando e eu uma felicidade imensa pulando ondinhas na beira do mar. Sâo algumas das cenas que eu vou lembrar sempre, ele foi a única pessoa próxima que eu perdi, e uma pessoa que eu jamais queria ter perdido, ainda mais da forma que foi, que eu prefiro deixar somente pra quem presenciou. Se eu pudesse pedir uma coisa, seria ele de novo, pra fazer voltar os meus dias de criança. :/

Um comentário:

Unknown disse...

A Gabriela tem o dom de, em simples palavras, fazer a gente pensar, refletir e voltar algumas coisas do passado. Lembrei de muitas coisas, e além dessas coisas, tentar compreender como essas pessoas estão se sentindo sem seus filhos, pois quando perdemos pais ficamos órfãos, e quando pais perdem seus filho ficam o quê?